quinta-feira, 28 de novembro de 2019

SANDMAN # 01 A 06

RELANÇAMENTO COM LINKS CORRIGIDOS

1989
Você já leu Sandman? Lembra daquela vez em que o Rei do Sonhar desceu até o Inferno para recuperar seu elmo mágico? Lúcifer, o senhor das trevas com a cara do David Bowie, deixou que ele desafiasse um demônio só para, depois, avisar que, no Inferno, não valiam os acordos e o coitado não tinha a menor chance de sair de lá…
Quem se liga em Histórias em Quadrinhos sente aquele friozinho só de lembrar qual era a sensação de abrir uma nova revista do Sandman, com uma aventura que prometia tudo: suspense, ação, ficção, romance, comédia, terror… e que conseguia ser ao mesmo tempo um clássico. Cult total.
A série, criada pelo inglês Neil Gaiman, transformou-se no elo comum a milhões de sonhadores no mundo inteiro na virada dos anos 80 para os 90. Até então, a DC Comics apostava no Monstro do Pântano, com histórias de Alan Moore (um gênio, minha gente, aquele que criou Watchmen e Do Inferno), para fazer quadrinhos adultos na sua linha Vertigo. Com Sandman, o selo virou um sucesso. E olha que parecia tarefa de outro mundo: Gaiman pegou uma personagem antiga e esquecida da editora e criou a sua própria versão. Sandman deixou de ser um detetive, que usava um gás para adormecer seus inimigos e passou a ser o Deus dos Sonhos, Lorde Morpheus, aquele que reina nos domínios oníricos quando todos os seres humanos fecham seus olhos e… sonham.
Morpheus virou mania. Não havia história em que não pudesse aparecer, nem que fosse como coadjuvante. Ou ele ou um de seus irmãos, os Perpétuos: Destino, Delírium, os gêmeos Desespero e Desejo e a mais querida, a Morte. Ela era uma mocinha com a cara da cantora Siouxsie – mas que foi inspirada em Cinnamon, uma amiga do desenhista Mike Dringenberg. Foi ele que deu ao protagonista da série um estilo único, ainda que lembrasse o Robert Smith, do The Cure. Bastava ver um cara vestido de capa preta, cabelo despenteado, visual gótico, para fazer um fã da série reconhecer o outro. E sorrir, com aquela cumplicidade de quem diz: “Sei do que você está falando…”
Mas quem sabia mesmo das coisas era Gaiman. Com Sandman, mestre ou parente de tantos outros que circulam no reino dos sonhos e dos homens, ele conquistou uma platéia que não curtia quadrinhos (ou achava que não curtia). Gente que mergulhou de cabeça nesse universo repleto de referências. É que uma história de Sandman nunca é só um conto: tem desdobramentos, um pouco de história, citações a autores… Muitos seguidores se uniram em clubes só para tentar “desvendar” as pistas deixadas por Gaiman em suas histórias. E são tantas…!
Sandman levou os quadrinhos para uma dimensão além dos super-heróis. Nada contra o Batman (que o desenhista Dave McKean, autor das capas de Sandman, recriou em Asilo Arkham), o Super-Homem, o Homem-Aranha ou os X-Men, mas, para os fãs de Sandman, havia uma boa “desculpa” para gostar mais dele do que dos outros: Morpheus é mais poderoso do que o Homem de Aço, mais esperto do que Peter Parker, mais soturno do que o Homem-Morcego e domina seus poderes sobre-humanos muito melhor do que os alunos do professor Xavier. É um deus, capaz de conduzir os caminhos dos homens, o meu, o seu, o de todo mundo.
Ficar aqui falando de Sandman pode ser tentador, embora nunca um prazer comparável ao de se ler suas histórias. Se você ainda não experimentou, reserve um tempo e devore o que encontrar. Comece do número 1, que vai fazer toda a diferença. Mas se não der, basta viajar no enredo assustador da série “A Casa de Bonecas”, em que Sandman captura vários pesadelos que deixaram o reino dos sonhos e decidiram habitar nosso mundinho… Para os menos pacientes, a receita está nos contos de “Fábulas e Reflexões”, em que Morpheus interfere na vida de homens importantes que fizeram história (fazendo a gente pensar: “que legal se fosse verdade!”). Ou as parábolas de “Convergências”, cheias de pensamentos…
Esquece. Vá ler e pronto! E depois conte para o seu melhor amigo como foi que o Sandman conseguiu escapar do Inferno… Por Omelete

#01

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